A Verdade Que Liberta é... quem sabe distingue!”
Com certeza, todos temos a mediunidade, em variados e particulares graus
de desenvolvimento, porque esse potencial é inerente aos seres humanos,
sem exceção ou privilégio. E independe da idade, da raça, do sexo, das
crenças e da moral. Ou seja, crianças podem ter essa faculdade
desenvolvida nas vidas passadas e apresentar fenômenos mediúnicos
precocemente, em época que consideramos inadequada. Mas se está
acontecendo, e não com uma só criança, faz parte do que é natural e
normal, apesar de incomum. Vamos lembrar que Kardec contou com a
colaboração mediúnica de quatro adolescentes, extremamente competentes e
equilibradas.
Além do que, contra fatos não há argumentos e, segundo o Espiritismo,
não é possível retirar, fechar ou impedir a mediunidade de funcionar.
Pode-se tão somente esclarecer, educar e ajudar a criança a administrar
sua vida, com as características que tem e que devem ser consideradas
valiosas.
Mesmo crianças de lar espírita não costumam ouvir que mediunidade e
influência espiritual são duas coisas distintas, embora sejam leis
universais e lidem com os desencarnados. No geral essa distinção não é
feita, misturando-se conceitos e interpretações, o que perpetua erros
conceituais e dificuldades de conviver com os fatos.
Mediunidade é veículo de comunicação e influência espiritual é fruto do
que se sente e pensa. Nem todos têm um observável desenvolvimento
mediúnico, ou seja, da capacidade de se comunicar com Espíritos, mas
todos atraímos Espíritos, por afinidade e semelhanças no ser e pensar, e
recebemos essa influência sem perceber. É a mediunidade que percebe,
mas não é ela que atrai.
Se a verdade liberta, o desconhecimento gera receios, inseguranças e
impotência. Por isso, é comum que a criança médium tenha medo, e muito
medo do que lhe acontece, sobretudo se os familiares temem ou negam “o
invisível”. Também podem ser discriminadas por parentes, professores e
amiguinhos, sentindo-se um ET, bem como ameaçadas por Espíritos maus e
por visões desagradáveis.
O que fazer?
Adotar o coitadismo e o vitimismo, mimando a criança, falando baixinho
com todos sobre o PROBLEMA que ela tem e de como está sendo difícil
viver com “isso”? Ou quem sabe apelar para o religiosismo e fazer a
criança sentir-se obsidiana, perseguida pelo mal e obrigada a rezar, sem
entendimento do que faz, aumentando o medo e a sensação de impotência?
Ou adotar psicoterapias materialistas e medicamentosas, para que a
criança não perceba o que ocorre, porque, afinal, é só uma criança e
precisa ser “protegida dessas coisas”?
Atitudes como as descritas e similares, do tipo cuidados especiais,
superproteção, andar atrás da criança, perguntando se está bem e
dizendo preces, só pioram a situação, formando um clima lúgubre, de
tristeza e apreensão no lar, como se a família sempre estivesse a espera
daquele “momento terrível”.
Nos lares que não conhecem o Espiritismo, esses comportamentos são fruto
do que não sabem sobre a vida. Mas nos que já têm essa luz do
entendimento, espera-se que esclarecer o assunto e dar-lhe melhor
direção, seja a postura assumida e mantida.
Vamos estudar, de forma isenta e sem interpretações, a definição
espírita de mediunidade e vamos ponderar bastante sobre ela, bem como
sobre as leis de reencarnação, evolução, livre arbítrio, causa e efeito e
fluidos, que são bases doutrinárias do Espiritismo, melhor dizendo, sua
filosofia de vida. Certamente, essa dedicação abrirá condições dos pais
adotarem recursos mais adequados e eficientes, para acompanharem suas
crianças médiuns, corajosa e salutarmente.
Quanto a mediunidade, é indispensável que ensinemos às crianças a sua
definição e não os preconceitos, os misticismos e as lendas que vêm do
mais remoto passado, quando se achava que esses “dons” eram sinal dos
deuses (antigüidade) ou dos demônios (judeus e religiões cristãs).
O Espiritismo é o divisor de águas, porque demonstrou que a mediunidade é
uma faculdade, uma potencialidade natural de todos os seres humanos.
Existe para que os desencarnados sejam percebidos e entendidos pelos
encarnados, pois estamos sempre juntos e constituímos a humanidade da
Terra. Ao mesmo tempo, ela é a condição de sabermos quais Espíritos
estão nos influenciando, porque são nossos sentimentos e pensamentos que
os atraem. (
Ler O Livro dos Médiuns, cap XXI, item 232.)
Que não haja espanto ou descontentamento ao reconhecermos manifestações
mediúnicas em nossos filhos pequenos, quando falam de seus amiguinhos
invisíveis para nós, quando vêem os avós já mortos e, até mesmo coisas
assustadoras. Eles não são azarados ou vítimas do mal, são criaturas
reencarnantes, trazendo no “baú” das vidas passadas, recursos e
situações a seres resolvidas.
O que precisa ser feito é ajudar a criança médium, mantendo sua vida
normal, mas esclarecendo-a de que tem um potencial mais desenvolvido que
a maioria das pessoas. Isso não a faz melhor, apenas é possuidora de um
patrimônio espiritual mais trabalhado, da mesma forma, por exemplo,
que outras crianças são desenhistas, atletas, líderes, e ela não é. Cada
qualidade é um potencial desenvolvido desde outras vidas.
Acompanhar a criança nas preces de ligação consciente com seu anjo de
guarda; na limpeza fluídica (“colocar luz”) do quarto dela ou dos
ambientes da casa; ensiná-la a perceber, pelos pensamentos que está
tendo, se o Espírito é ou não bem intencionado; ensinar-lhe técnicas de
auto-domínio, para que não saia da posse de si; treiná-la a desviar a
mente da visão que não for boa ou da influência em hora inconveniente,
focando-a em outra coisa; treiná-la a não temer, porque os Espíritos só
podem mandar pensamentos, mais nada que isso, por exemplo, é da
responsabilidade dos adultos que cuidam dela. Alguns anos depois,
teremos uma pessoa muito mais apta a viver bem e com recursos que grande
parte da sociedade não tem. Ou seja, promover o equilíbrio na infância,
gera mais equilíbrio e benefício na fase adulta.
Com a ressalva de que tudo isso seja explicado como um aproveitamento da
oportunidade e aquisição de técnicas necessárias a lidar com a
mediunidade, para ser feliz com ela, e nunca como defesa de algo ruim e
indesejável. Se essa segunda postura for adotada os resultados não serão
os mesmos, porque perpetuaremos o medo e a criança facilitará as
influências más.
Grandes e competentes médiuns, espíritas ou não, são apenas aqueles que
gostam dessa sua característica e aprendem a usá-la em seu favor e no
dos outros.
O que fazem os pais de uma criança com pendores musicais precoces?
Levam-na, custe o que custar, a um bom professor e lhe dão os recursos
possíveis e o necessário apoio, porque sabem que é preciso desenvolver
adequadamente esse potencial, para o bem estar e o equilíbrio
psicológico da criança.
Da mesma forma, busquemos o aprendizado e os recursos que ajudem nossas
crianças médiuns a tirarem o melhor proveito do potencial que possuem,
porque assim terão bem estar e equilíbrio psicossomático, para quando,
mais velhas, poderem usar essa faculdade em favor do bem do mundo. Não é
isso que queremos para elas?
Joguemos fora, de vez, a lenda de que a mediunidade é algo perigoso, um
transtorno indesejável, que cria problemas, doenças e perturbação. Isso é
um preconceito impingido para temermos algo que, alem de ser natural,
ajuda a todos. Só não ajuda aos interesses de quem queira manter as
pessoas ignorantes e tolas, voltadas só para o lado material da vida. A
esses, a mediunidade, própria e dos outros, é uma grande embaraço...
Cuidemos para que as crianças médiuns vivam bem consigo mesmas, gostando
de sua mediunidade e cientes de que estão, agora, só aprendendo a
usá-la bem, coisa que farão livremente no momento oportuno. Que elas
entendam, claramente e sem nenhum receio, que são os sentimentos e
pensamentos que atraem Espíritos, os quais podem ligar-se a nós por
causa disto, e não pela mediunidade.
A compreensão e o uso da inteligência são sempre saudáveis e se opõem a
prisão que é o medo. Assim, estaremos ajudando, de forma eficiente e
discreta, a diminuir e, quem sabe, sanar preconceitos, dores e traumas
que essas crianças carregam.
O Espiritismo tem recursos para libertar a consciência das idéias falsas
e desamarrar os corações dos medos e inseguranças. Usemos essas
benesses...
Espíritos maus e vingativos assediam sua criança? Certamente há razões
passadas, bem graves, para isso e chegou a hora da solução. Mas o
sofrimento é de ambas as partes. Pense nisso...
O Centro Espírita pode ajudar, esclarecendo os Espíritos nas reuniões de
tratamento desobsessivo, e aos pais e filhos pelo ensino espírita e
também pelo tratamento fluídico de passes.
Mas é no lar, no dia-a-dia, que a família vai colaborar, amplamente, com
essa criança, para que ela viva bem consigo mesma, entendendo, o
possível dentro da idade, que tem um potencial de perceber Espíritos;
que isso é bom e que irá, aos poucos, aprendendo a dominar-se e a
gerenciar esse instrumento, que é dela; e que existe para ela, com mais
idade, fazer excelentes coisas. Por exemplo, para ser a ponte entre os
desencarnados e os encarnados da família, que se amam e sentem saudades.
E muitas outras coisas belas e construtivas, que o tempo mostrará!
Transcrição da
2ª- parte do texto Autoconsideração, copiado do livro
Imensidão dos Sentidos, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Editora Boa Nova,
como apoio e extensão dos raciocínios desenvolvidos acima, mostrando
como atraímos Espíritos, por semelhanças das formas de pensar. E notemos
que essas reflexões, sábias e oportunas, baseiam-se no texto de Kardec
que distingue mediunidade e influência espiritual. O mesmo usado como
referência para o texto.
...
“Indivíduos que não se valorizam criam em seu campo magnético – aura
humana – energias negativas mantidas por pensamentos habituais de
autodesvalorização. A partir daí, materializam acontecimentos
inconvenientes e atraem indivíduos semelhantes (encarnados ou
desencarnados) à sua maneira inadequada de se comportar diante das
pessoas e dos acontecimentos.
Por exemplo, se repetirmos constantemente para nós mesmos que somos
indignos, tolos e desprezíveis, atrairemos ondas mentais similares a
esses autoconceitos, porque chamaremos para nós sentimentos semelhantes
de outras criaturas. Pudera, nós vibramos contra nós mesmos!...
“Seria um erro crer que é preciso ser médium para atrair a si os
seres do mundo invisível. O espaço deles está povoado; temo-los sem
cessar ao nosso redor, ao nosso lado, nos vêem, nos observam, se
misturam às nossas reuniões, nos seguem ou nos evitam segundo os
atraiamos ou os repilamos.”(O Livro dos Médiuns – cap. XXI – item 232 -
parcial)
Ao pensarmos, nossa casa mental irradia vibrações ou ondas que se
propagam no universo energético circundante com que ela sintoniza. A
energia que dissipamos é que atrai a consideração, ou não, dos outros.
Quanto mais nos rejeitamos, maior é a rejeição das pessoas para conosco.
A atitude de nos subestimar ou menosprezar cria em nossa intimidade uma
estrutura psicológica comparável a um “mata-borrão” ou a um “exaustor
energético”, que suga tudo o que existe de negativo no ambiente em que
nos encontramos. Podemos nos equiparar a verdadeiros “ímãs”, que vão
atraindo a “limalha de ferro”.
Não importa se trazemos de nossa atual ou das passadas existências um
sistema de crenças derrotistas do tipo: “Se não fomos considerados ou
amados foi porque não somos dignos de amor”. Ou também, “Se fomos
abandonados ou negligenciados por pessoas importantes de nossa vida é
porque somos desprezíveis”. O que hoje realmente importa é a
conscientização de que se nossos olhos estão envolvidos com nosso
próprio malquerer, imediatamente sintonizaremos com o mal alheio. A
mente é, ao mesmo tempo, uma fonte receptora e uma força propulsora, que
capta e irradia qualquer onda mental.
A autoconsideração, isto é, o amor a nós mesmos, é o melhor antídoto
contra as energias deletérias. Esse autocomportamento afetuoso melhorará
a qualidade de nosso relacionamento com nós próprios e com os
semelhantes.
No entanto, a autoconsideração não pode ser comparada ao narcisismo ou
ao egoísmo, mas, sim, ao fato de que somos tão dignos do amor quanto o
nosso próximo, ou seja, devemos desejar e buscar mutuamente o amor
incondicional.
“Amarás a Deus sobre todas as coisas” é o primeiro e o maior de todos os
mandamentos, “amarás ao próximo como a ti mesmo” é considerado o
segundo e semelhante ao primeiro; tanto que Jesus Cristo afirmou perante
os judeus da época que “toda a lei e os profetas estão contidos nesses
dois mandamentos”.
A autoconsideração faz nosso “universo íntimo” girar em torno do amor e,
em virtude disso, atrair criaturas e energias amorosas em nosso
derredor.”