
André Luiz
DIVINA MEDIUNIDADE – Em nos reportando a qualquer estudo da
mediunidade, não podemos ovildar que Jesus, ela assume todas as
características de exaltação divina(19)
(19) Em “A Gênese” (págs. 293 e 294, FED, 12° edição), anota Allan Kardec, com referência aos fenômenos da mediunidade em Jesus:
“Agiria como médium nas curas que operava? Poder-se-á considerá-lo
poderoso médium curador? Não, porquanto de que se servem os Espíritos
desencarnados e o Cristo não precisava de assistência, pois que era ele
quem assistia os outros. Agia por si mesmo, em virtude do seu poder
pessoal, como o podem fazer, em certos casos, os encarnados, na medida
de suas forças. Que Espírito, ao demais, ousaria insuflar-lhe seus
próprios pensamentos e encarregá-lo de os transmitir? Se algum influxo
estranho recebia, esse só de Deus lhe poderias vir. Segundo definição
dada por um Espírito, ele era médium de Deus”. – (Nota indicada pelo
Autor espiritual.)
Desde a chegada do Excelso Benfeitor ao Planeta, observa-se-lhe o pensamento sublime penetrando o pensamento da Humanidade.
Dir-se-ia que no estábulo se reúnem pedras e arbustos, animais e
criaturas humanas, animais e criaturas humanas, representando os
diversos reinos da evolução terrestre, para receber-lhe o primeiro toque
mental de aprimoramento e beleza.
Casam-se os hinos singelos dos pastores aos cânticos de amor nas
vozes dos mensageiros espirituais, saudando Aquele que vinha libertar as
nações, não na forma social que sempre lhes será vestimenta às
necessidades de ordem coletiva, mas o adito das almas, em função da vida
eterna.
Antes dele, grandes comandantes da idéia haviam pisado o chão do mundo, influenciando multidões.
Guerreiros e políticos, filósofos e profetas alinhavam-se na memória
popular, recordamos como disciplinadores e heróis, mas todos desfilaram
com exércitos e fórmulas, enunciados e avisos, em que se misturam
retidão e parcialidade, sombra e luz.
Ele chega sem qualquer prestígio de autoridade humana, mas, com a sua
magnitude moral, imprime novos rumos à vida, por dirigir-se, acima de
tudo, ao espírito, em todos os climas da Terra.
Transmitindo as ondas mentais das Esferas Superiores de que procede,
transita entre as criaturas, despertando-lhes as energias para a Vida
Maior. Como que a tanger-lhes as fibras recônditas, de maneira a
harmonizá-las com a sinfonia universal do Bem Eterno.
MÉDIUNS PREPARADORES – Para recepcionar o influxo mental de Jesus, o
Evangelho nos dá notícias de uma pequena congregação de médiuns, à
feição de transformadores elétricos conjugados, para acolher a força e
armazená-la, de princípio, antes que se lhe pudessem canalizar os
recursos.
E longe de anotarmos aí a presença de qualquer instrumento psíquico
menos seguro do ponto de vista moral, encontramos importante núcleo de
medianeiros, desassombrados na confiança e corretos na diretriz.
Informamo-nos, assim, nos apontamentos da Boa Nova, de Zacarias e
Isabel, os pais de João Batista, precursor do Médium Divino, <eram
ambos justos perante Deus, andando sem repreensão, em todos os
mandamentos e preceitos do Senhor> (20), que Maria, a jovem simples
de Nazaré, que acolheria o Embaixador Celeste nos braços maternais, se
achava <em posição de louvor diante do Eterno Pai> (21), que José
da Galiléia, o varão que o tomaria sob paternal tutela, <era
justo> (22), que Simeão, o amigo abnegado que o aguardou em prece,
durante longo tempo, <era justo e obediente a Deus> (23), e que
Ana, a viúva que o esperou em oração, no templo de Jerusalém, por vários
lustros, vivia <servindo a Deus> . (24)
Nesse grupo de médiuns admiráveis, não apenas pelas percepções
avançadas que os situavam em contacto com os Emissários Celestes, mas
também pela conduta irrepreensível de que forneciam testemunho,
surpreendemos o circuito de forças a que se ajustou a onda mental do
Cristo, para daí expandir-se na renovação do mundo.
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(20) Lucas 1:5.
(21) Lucas 1:30.
(22) Mateus 1:19.
(23) Lucas 2:25.
(24) Lucas 2:37.
EFEITOS FÍSICOS – Cedo começa para Mestre Divino, erguido à posição
de Médium de Deus, apostolado excelso em que lhe caberia carrear as
noções da vida imperecível para a existência na Terra.
Aos dozes anos, assenta-se entre os doutores de Israel,
<ouvindo-os e interrogando-os> (25), a provocar admiração pelos
conceitos que expendia e a entremostrar a sua condição de intermediário
entre culturas diferentes.
Iniciando a tarefa pública, na exteriorização de energias sublimes,
encontramo-lo em Cana da Galileia, oferecendo notável demonstração de
efeitos físicos, com ação a distância sobre a matéria, em transformando a
água em vinho(26). Mas, o acontecimento não permanece circunscrito ao
âmbito doméstico, porquanto, evidenciando a extensão dos seus poderes,
associados ao concurso dos mensageiros espirituais que, de ordinário,
lhe obedeciam às ordens e sugestões, nós o encontramos, de outra feita, a
multiplicar pães e peixes(27), no tope do monte, para saciar a fome da
turba inquieta que lhe ouvia os ensinamentos, e a tranqüilizar a
Natureza em desvario (28), quando os discípulos assustados lhe pedem
socorro, diante da tormenta.
Ainda no campo da fenomenologia física ou metapsíquica objetiva,
identificamo-lo em plena levitação, caminhando sobre as águas (29), e em
prodigiosa ocorrência de materialização ou ectoplasmia, quando se põe a
conversar, diante dos aprendizes, com dois varões desencarnados que,
positivamente, apareceram glorificados, a lhe falarem de acontecimentos
próximos.(30).
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(25) Lucas 2:46.
(26) João 2:1-12.
(27) João 6:1-15
(28) Marcos 4:35-41
(29) Marcos 6:49-50
(30) Lucas 9:28-32
Em Jerusalém, no templo, desaparece de chofre, desmaterializando-se,
ante a espectação geral (31), e, na mesma cidade, perante a multidão,
produz-se a voz direta, em que bênçãos divinas lhe assinalam a rota(32)
Em cada acontecimento, sentimo-lo a governar a matéria,
dissociando-lhe os agentes e reintegrando-os à vontade, com a
colaboração dos servidores espirituais que lhe assessoram o ministério
de luz.
EFEITOS INTELECTUAIS – No capítulo dos efeitos intelectuais ou, se
quisermos, nas provas da metapsíquica subjetiva, que reconhece a
inteligência humana como possuidora de outras vias de conhecimento, além
daquelas que se constituem dos sentidos normais, reconhecemos Jesus nos
mais altos testemunhos.
A distância da sociedade hierosolimita, vaticina os sucessos amargos
que culminariam com a sua morte na cruz(33). Utilizando a clarividência
que lhe era peculiar, antevê Simão Pedro cercado de personalidades
inferiores da esfera extrafísica, e avisa-o quanto ao perigo que isso
representa para a fraqueza do apóstolo (34). Nas últimas instruções, ao
pé dos amigos, confirmando a profunda lucidez que lhe caracterizava as
apreciações percucientes, demonstra conhecer a perturbação consciencial
de Judas(35), a despeito das dúvidas que a ponderação suscita entre os
ouvintes. Nas preces de Getsêmani, aliando clarividência e
clariaudiência, conversa com um mensageiro espiritual que o
reconforta.(36)
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(31) João 7:30
(32) João 12:28-30
(33) Lucas 18:31-34
(34) Lucas 22:31-34
(35) João 13:21-22
(36) Lucas 22:43
MEDIUNIDADE CURATIVA – No que se refere aos poderes curativos,
temo-los em Jesus nas mais altas afirmações de grandeza. Cercam-no
doentes de variada expressão. Paralíticos estendem-lhe membros mirrados,
obtendo socorro. Cegos recuperam a visão. Ulcerados mostram-se limpos.
Alienados mentais, notadamente obsidiados diversos, recobram equilíbrio.
É importante considerar, porém, que o Grande Benfeitor a todos convida para a valorização das próprias energias.
Reajustando as células enfermas da mulher hemorroíssa, diz-lhe,
convincente: – <Filha, tem bom ânimo!a tua fé te curou.>(37) Logo
aos, tocando os olhos de dois cegos que lhe recorrem à caridade,
exclama: <Seja feito, segundo a vossa fé.> (38)
Não salienta a confiança por simples ingrediente de natureza mística,
mas sim por recurso de ajustamento dos princípios mentais, na direção
da cura.
E encarecendo o imperativo do pensamento reto para a harmonia do
binômio mente-corpo, por várias vezes o vemos impelir os sofredores
aliviados à vida nobre, como no caso do paralítico de Betesda, que,
devidamente refeito, ao reencontrá-lo no templo, dele ouviu a
advertência inesquecível: – <Eis que já estás são. Não peques mais,
para que não suceda coisa pior.>(39)
EVANGELHO E MEDIUNIDADE – A prática da mediunidade não está somente
na passagem do Mestre entre os homens, junto dos quais, a cada hora,
revela o seu intercâmbio constante com o Plano Superior, seja em
colóquios com os emissários de alta estirpe, seja em se dirigindo aos
aflitos desencarnados, no socorro aos obsessos do caminho, mas também na
equipe dos companheiros, aos quais se apresenta em pessoa, depois da
morte, ministrando instruções para o edifício do Evangelho nascente.
No dia de Pentecostes, vários fenômenos mediúnicos marcam a tarefa
dos apóstolos, mesclando-se efeitos físicos e intelectuais na praça
pública, a constituir-se a mediunidade, desde então, em viga mestra de
todas as construções do Cristianismo, nos séculos subseqüentes.
Em Jesus e em seus primitivos continuadores, porém, encontramo-la
pura e espontânea, como deve ser, distante de particularismos
inferiores, tanto quanto isenta de simonismo. Neles, mostram-se os
valores mediúnicos a serviço da Religião Cósmica do Amor e da Sabedoria,
na qual os regulamentos divinos, em todos os mundos, instituem
responsabilidade moral segundo o grau de conhecimento, situando-se,
desse modo, a Justiça Perfeita, no íntimo de cada um, para que se
outorgue isso ou aquilo, a cada Espírito, de conformidade com as
próprias obras.
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(37) Mateus 9:22
(38) Mateus 9:29
(39) João 5:14
O Evangelho, assim, não é o livro de um povo apenas, mas o código de
Princípios Morais de Universo, adaptável a todas as pátria, a todas as
comunidades, a todas as raças e a todas as criaturas, porque representa,
acima de tudo, a carta de conduta para a ascensão da consciência à
imortalidade, na revelação da qual Nosso Senhor Jesus-Cristo empregou a
mediunidade sublime com agente de luz eterna, exaltando a vida e
aniquilando a morte, abolindo o mal e glorificando o bem, a fim de que
as leis humanas se purifiquem e se engrandeçam, se santifiquem e se
elevem para a integração com as Leis de Deus.
Do livro: Mecanismos da Mediunidade
Do livro: Mecanismos da Mediunidade
Psicografia: Francisco Candido Xavier e Waldo Vieira
Pelo Espírito de : André Luiz